O problema não é a figurinha. É o caráter
Hoje a pessoa rouba um rótulo porque aquilo interessa a ela. Amanhã, se interessar outra coisa, ela pode fazer o mesmo.
Em São Paulo, e sabe-se lá onde mais, a Copa do Mundo perde o seu brilho nos supermercados. “Cidadãos” violam lacres de garrafas de refrigerante para furtar figurinhas da Copa do Mundo. Usam a fraude para completar um álbum.
Rasgam-se o plástico, a moral e a ética ao mesmo tempo.
A mão que furta a figurinha é a mesma que clama por mais justiça.
O álbum se enche de imagens raras, mas o peito se esvazia de dignidade.
O valor da honestidade virou poeira. Trocamos o caráter por uma figurinha! E o Brasil chora pela nova corrupção que brota no cotidiano.
Hoje, o cheiro mais forte que sinto é o da profunda decepção. Pensei que não pudesse piorar, mas estava errado. E acho mesmo, sinceramente, que a única saída para o nosso País é o aeroporto.