Cores e formas podem ser um alerta para o câncer colorretal, segundo mais frequente entre homens e mulheres no Brasil
Muitas vezes ignorado ou tratado como tabu, o hábito de observar as fezes é um dos métodos de autovigilância mais eficazes para a saúde. No mês da campanha Março Azul-Marinho, que visa a conscientização sobre o câncer colorretal, especialistas alertam que alterações no formato, cor e frequência da evacuação não são apenas desconfortos passageiros, mas sinais vitais que o corpo envia.
As características das fezes variam de acordo com a hidratação do bolo fecal, quantidade de fibras ingeridas e tipo do alimento ingerido, basicamente. Devemos observar nossas fezes, pois alterações nas mesmas podem ser indicativo de diversas doenças, dentre elas o câncer colorretal. Este é um dos parâmetros que usamos para avaliar uma evacuação de qualidade e saúde intestinal.
Deve-se avaliar também, a frequência evacuatória, presença de desconforto abdominal ou anal, sangue ou muco nas fezes, e o calibre das mesmas.
O formato ideal das fezes é cilíndrico, tipo banana e/ou salsicha. Já fezes afiladas podem indicar problemas na região do reto – que é a porção final do intestino grosso- ou canal anal e podem também ser um sinal de câncer. As fezes afiladas estão entre os sintomas de alerta para o câncer de intestino, devendo ser investigada o mais rápido possível.
A coloração da fezes deve ser acastanhada, sem sangue ou muco, que também são considerados sintomas de alerta. As fezes enegrecidas, pastosas, de odor fétido, é indicativo de sangramento de origem digestiva alta, ou seja, estômago, duodeno, ou jejuno (intestino fino), pois indicam decomposição do sangue pelas bactérias intestinais, ocasionando essa coloração e odor bem característicos. Já sangue vermelho vivo em meio às fezes, seria indicativo de origem em intestino grosso, reto ou doenças anais.
Além disso, é importante observar a mudança do hábito intestinal. Quem tem intestino preso e, sem promover nenhuma alteração na alimentação ou rotina, começar a evacuar mais vezes, e vice-versa, deve ligar o sinal de alerta. Dores abdominais recorrentes, perda de peso sem causa aparente e anemia são outros sintomas que não podem ser menosprezados.
Por que falar sobre o número 2
Trazer as orientações sobre o hábito intestinal para as discussões do dia a dia, sem preconceito, encontra respaldo na última estimativa divulgada pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA), que estima 53.810 casos novos no Brasil, para cada ano do triênio de 2026 e 2028. Uma projeção do Instituto Nacional do Câncer (Inca) concluiu que o número de mortes prematuras causadas por câncer de intestino deve crescer cerca de 10% entre 2026 a 2030 no Brasil.
O câncer de intestino já é o segundo mais frequente entre homens e mulheres no Brasil. Quem observa o hábito intestinal e procura um especialista logo no início tem mais chances de ter um tratamento bem sucedido. Embora tenha chances de cura superiores a 90% se detectado precocemente, cerca de 65% dos casos ainda são descobertos em estágios avançados, o que reduz drasticamente as chances de sobrevida.
Por isso, instituiu-se o Março Azul-Marinho, para se discutir o tema e, também, no dia 27 de março, celebra-se o Dia Nacional de Combate ao Câncer Colorretal, data que reforça a urgência de quebrar o preconceito.
O objetivo da campanha é alertar a população sobre a importância do câncer de intestino nos dias atuais, no intuito de se alertarem sobre a necessidade de cuidados preventivos, e esclarecimentos sobre a prevenção correta. A incidência de câncer de intestino de início precoce (em menores de 50 anos), tem aumentado de forma significativa em todo o mundo, o que faz com que se ascenda um alerta para a real necessidade de se conhecer mais sobre o câncer de intestino e de se iniciarem medidas preventivas mais precoces.
A Sociedade Brasileira de Coloproctologia recomenda que a prevenção por colonoscopia comece aos 45 anos para quem não tem sintomas. Caso haja histórico familiar de câncer ou pólipos intestinais, o rastreamento deve começar 10 anos antes da idade em que o parente teve o diagnóstico.
O câncer de intestino é uma das poucas doenças que podemos dizer que realmente tem prevenção. Durante o exame de colonoscopia, encontramos um pólipo – que é como uma verruga benigna – nós o retiramos na hora, impedindo que ele se transforme em um câncer no futuro.
Bom hábito intestinal também previne o câncer
Investir em uma boa alimentação para se ter um hábito intestinal saudável é também uma medida preventiva a doenças intestinais e ao câncer colorretal, pois cada vez mais estudos evidenciam que alterações na microbiota intestinal estão relacionadas ao aumento das chances de câncer de intestino. Portanto, mais que observar o seu número 2, adote as dicas abaixo:
* Mantenha uma dieta rica em fibras (folhas, frutas, cereais integrais), em torno de 25 gr ao dia.
* Beba muito líquido: multiplique seu peso por 30 para ter uma ideia da quantidade/dia.
* Evitar alimentos processados, embutidos, açúcares, farináceos e álcool.
* É proibido fumar!
* Adote uma prática de exercícios físicos regulares.
* Comece cedo. A real prevenção do câncer de intestino não deve se iniciar aos 45 anos de idade, e sim na infância, no momento de introdução dos alimentos as crianças, instituindo hábitos alimentares saudáveis já nessa idade, bem como o estímulo aos exercícios físicos.
Dra. Geanna Resende
Coloproctologista especializada em cirurgia videolaparoscópica, cirurgias a laser e exames de colonoscopia
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