Segundo Cérebro

05/10/2021 |
Assunto: , Medicina, Saúde

Por que o intestino é considerado nosso segundo cérebro?

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Os médicos acreditam cada vez mais que a função do nosso sistema digestivo vai muito além de processar a comida que ingerimos. Neste artigo, apresentamos dados sobre o intestino que explicam por que sua saúde é chave para o bem-estar geral do corpo. Ele tem mais neurônios que a espinha dorsal e age independentemente do sistema nervoso central.

Certamente, o intestino não foi a primeira opção em que você pensou ao analisar o título deste artigo, mas trata-se dele. Esse cérebro independente em nossas entranhas e sua complexa comunidade microbiana influem no nosso bem-estar geral.

Assim, os médicos acreditam cada vez mais que a função do nosso sistema digestivo vai muito além de simplesmente processar a comida que ingerimos. E mais, eles estão investigando se ele poderia ser usado para o tratamento de doenças mentais ou do sistema imunológico.

A BBC conversou com a Dra. Megan Rossi, especialista australiana em saúde intestinal, para descobrir por que devemos prestar mais atenção às nossas barrigas. Aqui, apresentamos alguns fatos surpreendentes sobre o nosso segundo cérebro.

Um sistema nervoso autônomo

Diferente de qualquer outro órgão do corpo, nosso intestino pode funcionar sozinho. Tem sua própria autonomia para tomar decisões, não precisa que o cérebro lhe diga o que fazer.
O que governa o intestino é o chamado sistema nervoso entérico (SNE), que é uma sucursal do sistema nervoso autônomo do corpo – o responsável por controlar diretamente o sistema digestivo.
Esse sistema nervoso se estende pelo tecido que reveste o estômago e o sistema digestivo, e possui seus próprios circuitos neurais.
Embora funcione de forma independente, ele se comunica com o Sistema Nervoso Central (SNC) através dos sistemas simpático e parassimpático.

70% das células do nosso sistema imunológico vivem no intestino

Isso torna a saúde do nosso intestino a chave para nossa imunidade às doenças.
Pesquisas mais recentes indicam que, se você tem problemas intestinais, é mais provável que seja mais vulnerável a doenças comuns, como uma gripe, por exemplo.

50% das fezes são bactérias

Não são apenas restos de comida: aproximadamente metade de nossas fezes é formada por bactérias.
Muitas dessas bactérias são boas, e por isso os transplantes de fezes podem ser uma forma de tratamento vital para alguns pacientes com um microbioma intestinal debilitado.
Por outro lado, ainda falando em fezes, a BBC perguntou a Rossi com que frequência é normal ir ao banheiro.
A especialista respondeu que, segundo pesquisas, é considerado normal defecar de 3 vezes ao dia até 3 vezes por semana.

Quanto mais diversificada a dieta, mais diversificado é o microbioma

Em nosso intestino vivem trilhões de micróbios, que gostam de diferentes alimentos.
Esses micróbios são fundamentais para a digestão porque sua atividade permite que nosso corpo absorva certos nutrientes dos alimentos.
“Eu gosto de dizer que os micróbios são como os nossos bichinhos de estimação internos, então, você deve cuidar deles e alimentá-los”, diz a especialista.
Diferentes micróbios prosperam com diferentes alimentos e, por isso, o microbioma intestinal melhora com uma dieta diversificada.
Um microbioma rico e variado está associado a uma maior saúde intestinal, e por consequência, a um bem-estar geral maior.
Por outro lado, as pessoas que sempre comem as mesmas coisas têm um microbioma mais pobre.

Seu intestino está ligado aos seus níveis de estresse e ao seu estado de ânimo

Se você tem problemas intestinais, algo fundamental que precisa fazer é observar a quanto estresse você está submetido.
“Na minha prática clínica eu sempre digo aos pacientes que façam 15 ou 20 minutos por dia de meditação. Depois de fazer isso todos os dias durante quatro semanas, e transformar em hábito, vejo que apenas com isso os sintomas já melhoram. Então, desestressar é muito, muito importante”, diz a especialista.
Também é interessante pensar que a maior parte da serotonina do corpo, estima-se que uma proporção de 80% a 90%, é encontrada no trato gastrointestinal.
A serotonina é um neurotransmissor que afeta muitas funções corporais, como o peristaltismo intestinal – o movimento involuntário que o intestino faz para empurrar o bolo alimentar e permitir que a digestão aconteça no lugar certo.
Ela também está associada a muitos transtornos psiquiátricos. Sua concentração pode ser reduzida pelo estresse e influencia o humor, a ansiedade e a felicidade.
Vários estudos com seres humanos e animais têm mostrado evidências sobre diferenças encontradas no microbioma intestinal de pacientes com transtornos mentais, como a depressão.

Se você teme os efeitos de algum alimento e o consome, cuidado

É verdade que há alguns intestinos mais sensíveis do que outros, mas, de acordo com a Dra. Rossi, pesquisas recentes surpreendentes sugerem que, se você tem medo de um determinado alimento e o come, pode desenvolver sintomas fisicamente.
“Na clínica, vejo constantemente como as crenças podem desencadear problemas intestinais.”
Há muitas pessoas que acreditam, às vezes por causa de uma moda passageira, que o glúten ou a lactose irão prejudicá-las, sem que tenham realmente uma alergia ou intolerância.

Você pode melhorar sua saúde digestiva e o seu microbioma intestinal

* Siga uma dieta diversificada para diversificar o microbioma intestinal;
* Reduza o nível de estresse, fazendo meditação, relaxamento, mindfulness ou ioga;
* Se você já tem sintomas de algum problema intestinal, é melhor evitar álcool, cafeína e comidas apimentadas, eles podem agravá-lo;
* Tente dormir melhor: um estudo mostrou que, se você muda ou interrompe o relógio biológico alterando seus padrões de sono, também prejudica seu intestino.

Fonte: Hospital Novo Mundo
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