Frequência ideal de evacuação pode variar, mas há sinais de alerta que indicam quando buscar orientação médica
Você já parou para pensar quantas vezes costuma ir ao banheiro em um dia? Apesar de parecer uma questão simples, e até tabu para muita gente, a frequência das evacuações pode dizer muito sobre a sua saúde intestinal. Evacuar até três vezes por dia ou até três vezes por semana está dentro da normalidade, mas mudanças bruscas no hábito, fezes muito ressecadas ou líquidas demais podem indicar que algo não vai bem.
Entender o seu próprio ritmo intestinal é essencial para manter o equilíbrio do organismo e prevenir doenças. A chamada normalidade pode variar de pessoa para pessoa. O mais importante é a regularidade e a consistência. Há quem evacue três vezes por dia, e outros que o façam a cada dois dias, sem prejuízos à saúde. O que precisa ser observado são mudanças no padrão e consistência das fezes, presença de dor, sangue, esforço excessivo ou fezes muito duras ou aquosas.
Um estudo recente da Universidade de Harvard concluiu que evacuar até três vezes por dia está associado a um melhor funcionamento intestinal e menor risco de doenças digestivas ao longo do tempo. Por outro lado, a constipação crônica, ir ao banheiro menos de três vezes por semana, pode levar a desconfortos recorrentes, distensão abdominal, hemorroidas e outras complicações.
Entre os fatores que interferem na frequência estão a alimentação, o nível de hidratação, o sedentarismo, o estresse, a presença de outras doenças associadas e até o uso de certos medicamentos. Pessoas com dieta pobre em fibras e ingestão inadequada de água tendem a sofrer mais com a prisão de ventre. Por outro lado, quadros de diarreia recorrente também merecem atenção, pois podem ser sintomas de intolerâncias alimentares, síndromes intestinais ou infecções.
Apesar de muitos acreditarem que ir ao banheiro todo dia é o ideal, ressaltamos que mais importante do que a frequência é a qualidade da evacuação. Fezes bem formadas, sem dor e com eliminação completa indicam um bom funcionamento intestinal. Siga nossas dicas para o intestino funcionar melhor.
Beba mais água
Manter-se hidratado ajuda na formação e eliminação das fezes. O ideal é consumir pelo menos 2 litros de água por dia.
Consuma fibras
Frutas, vegetais, legumes e grãos integrais favorecem o trânsito intestinal. Recomenda-se o consumo diário de 25 a 30 g de fibras. Por outro lado, uma dieta com excesso de fibras pode causar efeitos indesejados, como distensão abdominal, gases, cólicas e até mesmo constipação.
Evite alimentos ultraprocessados
Esses alimentos costumam ter baixo teor de fibras e alto teor de gorduras e conservantes.
Movimente-se
O sedentarismo contribui para a lentidão do intestino. Exercícios regulares estimulam os movimentos peristálticos (contrações musculares involuntárias que ocorrem no trato gastrointestinal para impulsionar o alimento ao longo do sistema digestivo). A baixa mobilidade física, comum em idosos e pacientes acamados, piora significativamente a constipação.
Gerencie o estresse
O estresse pode afetar o sistema digestivo e alterar o ritmo intestinal. Busque formas de aliviá-lo, como técnicas de relaxamento, meditação ou hobbies que proporcionem prazer e bem-estar. Em alguns casos, terapias cognitivo-comportamentais podem ser indicadas.
Evite o uso excessivo de laxantes
O uso contínuo pode levar à dependência e comprometer a função normal do intestino, agravando o quadro de constipação a longo prazo. Sempre consulte um profissional de saúde antes de utilizar laxantes e siga as orientações corretamente.
Preste atenção aos sinais do corpo
Segurar a vontade de evacuar pode causar ou agravar a constipação.
Caso mudanças nos hábitos intestinais se tornem frequentes ou acompanhadas de sintomas como dor, sangue ou perda de peso, é fundamental procurar um médico. Quanto antes o diagnóstico for feito, maiores as chances de resolver o problema sem grandes complicações.
Hospital São Camilo
Dra. Perla Schulz – Gastroenterologista
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