História de Jacarepaguá: ENGENHO DE NOSSA SENHORA DOS REMÉDIOS

01/12/2003
| Colunista: , Carlos Araújo
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Assunto: , História

Em 2 de janeiro de 1653, Tomé da Silva comprou a gleba que pertencia a D. Victória de Sá e que fazia parte do Engenho do Camorim. Na escritura relativa à venda da referida área, existem dois dispositivos que merecem ser citados: Enquanto fosse viva a antiga proprietária, aquelas terras não poderiam ser alienadas a terceiros sem o seu consentimento e A vendedora poderia retirar das mesmas as madeiras que viesse a precisar, para a conservação do Engenho do Camorim.

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A área desse engenho é a que ocupa aproximadamente, na atualidade, o Instituto Municipal Juliano Moreira (ex Colônia de Psicopatas Dr. Juliano Moreira) e o núcleo do antigo Sanatório de Curicica, hoje Hospital Rafael de Paula Souza.

Em 10 de dezembro de 1654, Tomé da Silva revendeu o engenho a D. Victória que, após 4 anos tornou a negociá-lo, agora com João da Silva, irmão de Tomé. O primeiro foi, sempre, o verdadeiro dono das terras adquiridas em 1653. Por algum motivo não poderia ser reconhecido como tal. Em 1662, Tomé comprou, oficialmente, o engenho que estava em nome do irmão, acrescentando algumas glebas a essa propriedade. Na época, o engenho, era conhecido por Pavuna. Em 1664, passou a ser chamado de Nossa Senhora dos Remédios. Orago da capela ali existente, com edificação anterior a essa data.

Ao morrerem Tomé da Silva e sua mulher Antônia de Oliveira Barbosa, os filhos do casal vieram a ser proprietários do engenho: Tomé da Silva Barbosa, Ana Barbosa da Silva e Tereza Barbosa.

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Em 9 de junho de 1707, o Dr. Cláudio Gurgel do Amaral, marido de Ana Barbosa, comprou as partes pertencentes aos outros herdeiros ficando como único dono do engenho. Esse Gurgel do Amaral era o proprietário das terras que tinham o nome de Chácara do Oriente, e onde estava localizado o outeiro doado, em 20 de julho de 1699, aos padres, para edificação de uma igreja em substituição à capelinha de Nossa Senhora da Glória. O outeiro era denominado Morro do Lerype. No templo a ser construído, seriam sepultados o doador e seus descendentes. Hoje essa casa de orações é conhecida como Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro. Localizada no atual Largo da Glória.

Em 2 de abril de 1715, o Engenho de Nossa Senhora dos Remédios foi vendido a Antônio Teles Barreto de Menezes que o agregou ao de Dentro, depois conhecido como Engenho da Taquara.

Falecido o Dr. Antônio Teles, em 28 de abril de 1757, essas terras passaram a pertencer ao filho Francisco Teles Barreto de Menezes que, em 1778, fez voltar à condição de engenho as terras do Nossa Senhora dos Remédios com o título de Engenho Novo da Taquara.

Ao falecer, em 13 de fevereiro de1806, seus bens foram divididos entre os seis filhos. O Engenho Novo ficou com D. Catarina Josefa de Andrade Teles que, em 1809, casou com Pascoal Cosme dos Reis. Imediatamente, após o casamento, Pascoal resolveu iniciar demandas contra sua cunhada, Ana Inocência Teles de Menezes, herdeira do Engenho da Taquara. Pouco depois D. Ana Inocência contraía matrimônio com o sargento mor João Alves Pinto Ribeiro. Esse litígio continuou, entre os dois maridos, até a morte de ambos.

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As demandas prosseguiram, agora forçadas pelas viúvas que se finaram: Ana Inocência, em 16 de novembro de 1836 e Catarina Josefa, em 9 de fevereiro de 1838, sem a resolução da querela.

Os restos mortais de D. Catarina, do marido e de um filho falecido ainda criança, repousam em uma das paredes da sacristia da Igreja de Nossa Senhora da Penna.

Em 30 de janeiro de 1839, após trinta anos de brigas, os herdeiros, acharam por bem entrar em acordo quanto às dívidas dos engenhos da Taquara e Novo. Eram os filhos de D. Catarina: Nicolau Antônio Cosme dos Reis, casado com D. Tereza Cosme dos Reis; Joaquim Teles Cosme dos Reis e Maria Teles Cosme dos Reis, além de Ana Maria Teles Barreto de Menezes, esposa de Francisco Pinto da Fonseca e sobrinha de D. Ana Inocência que não teve filhos.

Maria Teles ficou com o Engenho Novo e, juntamente com seus sobrinhos, herdeiros dos outros irmãos já falecidos, iniciaram a reedificação da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios. A sede do engenho fica lateral aos fundos da igreja que está bastante maltratada. Atualmente esse prédio, completamente abandonado, corre o risco de desmoronamento. Sua varanda que atinge toda a frente da construção encontra-se escorada por caibros para que não desabe, arrastando o resto da edificação. Após a inauguração da Colônia em 1922, o escritório central esteve instalado nesse local. Ergueram nova sede próxima à Estrada Rodrigues Caldas que é a entrada principal e descuraram da antiga que está sofrendo a ação devastadora do tempo. Todo o acervo histórico daquele próprio faz parte do conjunto administrativo da Colônia que, atualmente, está sob a responsabilidade da Prefeitura, com o título de Instituto Municipal Juliano Moreira.

Fonte: Jornal Condomínios Em Foco 44

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