VOCÊ SABE A DIFERENÇA ENTRE INSOLAÇÃO E DESIDRATAÇÃO?

05/11/2018 |
Assunto: , Medicina, Saúde

Insolação é o conjunto de sintomas que acomete uma pessoa exposta demasiadamente ao sol. Como consequência, pode surgir a desidratação e as queimaduras pelo corpo. Por isso, devemos ter cuidados até mesmo em dias nublados. A desidratação e a queimadura da pele são os sintomas mais frequentes da insolação, especialmente em crianças e idosos.

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Quando alguém fica muito tempo sob o sol, a pele queima, suas células são destruídas e o líquido que fica entre essas células é eliminado. Além disso, o suor e a respiração mais intensa facilitam a perda de água. Outros sintomas da insolação são dor de cabeça, tontura, vertigem, falta de ar, aumento da temperatura do corpo, mal-estar e vômitos. Isso sem contar o envelhecimento precoce e o aumento em 25 vezes da chance de a pessoa desenvolver câncer de pele, no caso de haver queimadura.

Responsáveis pelo bronzeamento, os raios ultravioleta são mais intensos entre 10h e 16h. O raio infravermelho, que também pode provocar insolação, é responsável pelo aumento do calor. Para que não ocorra insolação e suas consequências, devemos evitar a exposição ao sol entre 10h e 16h e não fazer exercícios físicos sob o sol nesse horário. É importante ingerirmos cerca de três litros de água por dia e aplicar protetor solar pelo menos 15 minutos antes da exposição ao sol.

Para tratar uma pessoa que sofreu insolação, deve-se levá-la para um local fresco e arejado; deitá-la com a cabeça elevada; fazê-la beber muito líquido (água e suco natural), podendo alternar com soro caseiro; colocar a pessoa em uma banheira com água gelada ou cobri-la com compressas frias sobre a cabeça, além de envolver o corpo com toalhas molhadas, associado ao uso de ventiladores; aplicar hidratantes para o corpo; e para evitar o mal-estar, a alimentação deve ser leve.

Apesar de simples, essas atitudes são primordiais para impedir o agravamento do quadro da insolação. Caso o paciente apresente piora, pode ser necessário o atendimento médico, que vai resultar em internação para aplicar soro na veia.

Já a desidratação, acontece quando existe grande perda de água e sais minerais no organismo, que contém aproximadamente dois terços de líquido. O corpo humano perde, em média, 2,5 litros de água por dia, seja pela urina, fezes, suor e até mesmo pela respiração. Para a desidratação não ocorrer e existir equilíbrio constante, é preciso repor a quantidade perdida, ingerindo o mesmo volume de líquidos diariamente. Já os sais minerais são repostos no sal da alimentação normal, nas frutas e verduras.

A desidratação é muito frequente em crianças e, todos os anos, muitas mortes infantis ocorrem devido a esta causa. A diarreia é uma causa muito comum de desidratação, mas também os vômitos e a insolação podem estar relacionados com a condição. Isso porque as crianças se esquecem de beber líquido suficiente para repor as perdas ou, algumas vezes, os próprios cuidadores (pais, mães, avós, babás) esquecem-se de oferecer líquidos.

Para reconhecer a desidratação, é preciso atentar-se a alguns sintomas como: secura da boca; choro sem lágrima; pele com elasticidade diminuída; olhos fundos e brilhantes; bochechas e abdome encovados; fontanela (“moleira”) deprimida; aumento da frequência cardíaca e respiratória na ausência de febre; urina diminuída em volume ou muito escura; nos bebês, fraldas não molhadas por três horas ou mais; irritabilidade e/ou apatia; estado de choque.

Algumas vezes, pela gravidade da situação ou pela ausência de tratamento adequado, os pacientes, especialmente as crianças e idosos, podem ser levadas ao óbito. Mas, apesar de sua gravidade, a desidratação é facilmente tratável, desde que os sintomas sejam reconhecidos rapidamente e os devidos cuidados sejam tomados.

Diante do diagnóstico, e depois de consultar um médico, a primeira medida é ingerir líquidos, como o soro caseiro, que é um econômico auxílio no combate à desidratação. Uma maneira simples de preparação do soro caseiro é colocar em um litro de água filtrada ou fervida, uma colher de café de sal e duas colheres de sopa de açúcar. Podemos preparar também o soro caseiro com uma colher de medida dos postos de saúde do governo, misturando em um copo (200 ml) de água filtrada ou fervida, uma medida (lado pequeno) rasa de sal e duas medidas (lado grande) rasas de açúcar.

Uma opção muito útil e disponível no mercado é a Solução de Reidratação Oral (SRO), já pronta para uso. Essas soluções são um forte e prático aliado, além de apresentarem várias vantagens em relação ao soro caseiro, como uma dosagem adequada de água e eletrólitos, facilitando a reposição, evitando erros de cálculos e estarem disponíveis com sabores especiais, o que aumenta a aceitação, especialmente das crianças.

A Terapia de Reidratação Oral deve ser feita várias vezes ao dia, a cada 20 ou 30 minutos e sempre em pequenas quantidades (em uma colher ou em pequenos goles em um copo). Se o paciente vomitar o soro oral logo após ter tomado, é sinal que a reidratação oral não está funcionando, logo, deve ser encaminhado ao hospital para uma avaliação médica mais criteriosa e provavelmente para ser instituída a terapia de reidratação venosa, com soro fisiológico aplicado na veia do paciente.

A orientação médica é sempre importante toda vez que há comprometimento da integridade física do indivíduo. Veja alguns indicadores que devem levar o indivíduo a uma avaliação médica imediata e criteriosa:

– Crianças muito pequenas, especialmente as menores de 6 meses de idade;
– Vômitos persistentes que impossibilitem a hidratação pela boca;
– Vômitos acompanhados de sangue;
– Vômitos em jato e acompanhados de rigidez da nuca, sonolência ou agitação;
– Presença de febre alta (acima de 38 °C);
– Sinais de desidratação grave;
– Dor na barriga intensa e persistente, acompanhada de dor com a descompressão da barriga.

A internação será necessária em algumas das situações acima, principalmente se o paciente não conseguir repor as necessidades de líquidos e sais minerais pela boca. Nesses casos, será necessária a hidratação pela veia, com reposição de sais minerais.

Fonte: Americas Medical City
Dr. Marcelo Tayah – Clínico Geral / Emergência

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