TUDO TEM SEU TEMPO

01/10/2007
| Colunista: , Jose Blanco - Tio Zé
|
Assunto: , Política

Assassinos não são apenas os que matam, mas também aqueles que deixam morrer

Diante de tantos fatos escandalosos, tento, mas não consigo entender a forma com os responsáveis por tanta corrupção, por tanta roubalheira, conseguem ter paz, encarar suas esposas, seus filhos e amigos. Como conseguem manter a calma, olhar nos olhos das pessoas e neles não ver a dor, o sofrimento, a decepção e a mágoa estampada no rosto de tanta gente?

Como conseguem continuar a ter tanta ambição, tanto egoísmo e acumular riquezas incalculáveis, sabendo que o lucro das suas negociatas indecentes, aumenta a Violência que mata, a Educação que não tem aulas, a Saúde que não cura e a Habitação que assiste ao crescimento das favelas? Como não percebem que, com seus exemplos criminosos, a indecência está sendo difundida e que grande parte do povo já está se acostumando com “o levar vantagem em tudo”, aprendendo a conviver com o que deveria ser considerado anormal e abandonando os princípios da ética, da moral e dos bons costumes?

Como conseguem dormir e não serem incomodados pelos fantasmas dos desesperados, que morreram em total abandono, inclusive pela falta de um simples medicamento que, poderia ser um daqueles, encontrado aos montes, junto com milhares de caixas de valor incalculável, com prazo de validade vencido, nos lixões da cidade? Como podem ter tanta frieza, negar culpas, responsabilidades e ainda encontrar artifícios para justificar o que é injustificável?

Como não conseguem ouvir os gritos de socorro dos necessitados e nem perceber a decepção e o desânimo daqueles que, mesmo não acreditando em mudanças, ainda não se entregaram e que apenas querem prosperar com honestidade? Como conseguem sorrir e continuar agindo de forma perversa, sabendo da existência de um verdadeiro exército de excluídos, que não tem onde se abrigar, não tem o que vestir, que não tem o que comer e nem a quem recorrer?

Como conseguem permanecer omissos ou coniventes, diante de milhões, talvez bilhões de reais, periodicamente, jogados na vala do desperdício, sabendo que este fabuloso numerário poderia dar oportunidade a milhares de brasileiros que perambulam pelas ruas, sem esperança, à sombra tétrica de obras faraônicas, muitas inacabadas, mal feitas ou mal aproveitadas, mas quase todas, sob suspeitas de superfaturamento?

Como conseguem, abraçar seus filhos, suas esposas, seus entes mais queridos, sabendo da existência de incontáveis famílias destruídas, de milhares de viúvas, milhares de órfãos e de milhares de miseráveis, que graças à corrupção desenfreada, jamais terão condições dignas de sobrevivência?

Sinceramente, não consigo entender como encontram facilidades para subornar consciências, continuar confiando cegamente na impunidade, esquecer que a vida é passageira e que a Justiça Divina é infalível? Não se arrependem, não têm um pingo de remorso e, consciente e covardemente, continuam com falcatruas, sabendo do mal que estão fazendo a esta e as futuras gerações.

Eles não têm sentimentos, não se arrependem, não pensam em parar e, nas trevas do vale-tudo a que se acostumaram, continuam querendo mais, muito mais, mesmo tendo pleno conhecimento das conseqüências dos atos infames que praticam. Não temem o Poder de Deus, que a tudo vê.

Sabem o mal (sabem, sim!) que estão fazendo (por ação ou omissão) e continuam, sem nenhum temor, não acreditando que TUDO TEM SEU TEMPO! Aqueles que saqueiam e matam a esperança, são dignos de pena, por não perceberem que ao participar, consentir ou simplesmente calar, na verdade, estão entregando suas próprias almas.

Amparado na minha fé peço lucidez, para na condição de simples cidadão-eleitor, não oferecer a outra face aos falsos moralistas, que só querem chegar ou continuar no Poder, para sem nenhum pudor, meter nos seus bolsos sem fundo, o que ainda resta nos Cofres Públicos. Pela incapacidade de mudar, às pessoas decentes, como únicas alternativas, só resta, rezar e torcer para que o tempo dos maus não demore a terminar.

Fonte: Jornal Condomínios Em Foco 67

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