Síndrome do Edifício Doente

28/02/2019 |
Assunto: , Imóveis, Saúde

CreciRJ20190228

Saiba o que é, as principais causas e como identificar se um prédio sofre desse mal

Um edifício doente é aquele que representa riscos à saúde e à vida de seus ocupantes devido a fatores poluentes de origem química, física ou biológica. É muito comum nos centros das grandes cidades a presença de construções com, pelo menos, uma destas características. O termo Síndrome do Edifício Doente foi reconhecido pela Organização Mun­dial da Saúde (OMS) no ano de 1982, quando 34 mortes e 182 casos de contágio de uma bactéria através do ar interno de um hotel na Flórida, Estados Unidos, foram comprovados. Estes edifícios afetam a maior parte da população mundial, tendo em vista que passamos a maior parte do tempo em ambientes fechados, como em casa, escola ou trabalho.

Para que um edifício seja classificado como doente basta que pelo menos 20% de seus ocupantes apresentem problemas referentes à saúde que sejam associados à permanência no local. Um ambiente contaminado pode gerar novos distúrbios, agravar problemas já existentes, como os casos de rinite e asma, ou resultar em problemas respiratórios sentidos especificamente nos períodos em que o indivíduo se encontrar dentro daquele local. Além de causar danos à saúde dos frequentadores, no caso de empresas o prejuízo é notado na produtividade, uma vez que as doenças refletem no aumento da taxa de absenteísmo dos funcionários.

Os casos de construções neste estado aumentaram consideravelmente a partir da década de 1980 como reflexo das mudanças implementadas na década anterior pela construção civil. Visando melhor aproveitamento dos espaços e a redução de gastos com manutenção da circulação de ar refrigerado. O ar-condicionado deu lugar aos dutos de ventilação refrigerada e as janelas foram substituídas por fachadas de vidro ou espelhadas. Este isolamento do meio interno acabou gerando uma dificuldade de renovação do ar, facilitando a proliferação de bactérias e possibilitando maior volume de contágios entre os indivíduos. O que tornou mais grave foram os avanços através do uso do petróleo na confecção de materiais altamente prejudiciais a saúde por serem fontes de poluição e acumularem poeira, muitos deles utilizados para melhorar a estética do ambiente, como adesivos, papéis de parede, móveis de madeira e carpetes, entre outros.

Jorge Mattos, Coordenador da Câmara Especializada de Engenharia Civil do Crea-RJ, chama a atenção para o estilo de vida empresarial urbano:

– Cada vez mais, o tempo gasto dentro de escritórios, salas de reuniões e salas comerciais, vem aumentando expressivamente e repetidamente nos maiores centros urbanos no mundo. Queixas como tosse, dor de cabeça e fadiga entre outros sintomas indicam uma grande probabilidade de você estar ocupando, exatamente agora, um local qualificado como Síndrome do Edifício Doente.

As Causas

Por mais que os dutos de ventilação tenham a presença de filtros para limpar o ar, sua eficácia não é totalmente garantida, permitindo que o ar poluído devido à combustão de cigarros e automóveis adentre no ambiente, contaminando-o. A grande quantidade de funcionários ocasiona um acúmulo de gás carbônico resultante da respiração. Empresas e escritórios, geralmente possuem máquinas copiadoras e impressoras, produtoras de ozônio que é prejudicial à saúde. Outro fator químico que está presente no dia a dia dos ambientes profissionais são os produtos de limpeza. Apesar de parecerem garantir a higiene do local, possuem em sua composição o formaldeído, elemento tóxico que pode provocar problemas respiratórios e irritação nos olhos quando inalado em níveis elevados. O formaldeído também está presente em materiais de acabamento e mobiliário.

As formas de contaminação mais comuns e perceptíveis são as partículas de poeira. Basicamente são partículas fragmentadas de algum objeto, como madeira, por exemplo. Por mais que o ambiente seja fechado, a poeira é proveniente dos próprios materiais e equipamentos internos, se prende na roupa dos indivíduos ao transitarem para o meio externo e acabam se acumulando em estofados e carpetes.

As causas de origem biológicas são caracterizadas pela presença de agentes microscópicos causadores de algum tipo de enfermidade. As bactérias são os principais vetores por se aglomerarem em qualquer coisa. Em ambientes fechados elas se proliferam em bandejas com água parada, torres de resfriamento, desumidificadores e umidificadores de ar, superfícies úmidas e quentes, além de serem transportadas pelas pessoas que circulam pelo local. Semelhantes às bactérias, os vírus são os maiores contribuidores para o aumento das taxas de absenteísmo, pois podem ser transmitidos pelo ar de pessoa para pessoa, resultando em diversas doenças.

Mattos orienta sobre um procedimento simples que pode ter um efeito muito grande em prol da saúde de quem trabalha em ambientes fechados:

– O cuidado com a qualidade do ar climatizado de um ambiente fechado, é muito mais importante do que imaginamos pois envolve a saúde dos ocupantes. Para evitarmos a síndrome do edifício doente, é de suma importância realizar a manutenção e limpeza correta do sistema de climatização, assim como, uma análise semestral da qualidade do ar, para obtermos assim um ambiente saudável e confortável.

A maneira mais fácil de identificar um edifício doente é através dos sintomas apresentados pelos seus ocupantes. As dificuldades para respirar, infecções nas vias aéreas, rouquidão e tosse indicam que a poluição está no ar interno ou na água. As dores nas articulações, dores de cabeça, fadiga mental, náusea, tontura e sonolência podem ser em decorrência de algum mal provocado por picada de insetos ou associado a doenças causadas por vírus e bactérias. Outros sintomas frequentemente apresentados em um ambiente com as características apresentadas são coceiras, irritação nos olhos, nariz e garganta e ressecamento da pele, indicando a possibilidade de micoses.

Patologias na Construção Civil

Mesmo não sendo enquadradas nas características da síndrome do edifício doente, as patologias estão presentes na construção civil, principalmente em sua parte estrutural. Reações químicas, erosão, variações de temperatura, vibrações e corrosões, falta de manutenção periódica, falhas de projeto e utilização de materiais de baixa qualidade ou impróprios para uso em edificações são os principais causadores de tragédias envolvendo o setor. A presença de infiltrações decorrentes de canos furados, rachaduras, esfarelamento das paredes, umidade e deslocamento de rebocos e pisos são sinais de alerta para que uma inspeção seja realizada e o pior seja evitado.

Fonte: Stand Edição 44 – Revista do Creci-RJ

Voltar Próximo artigo