Por que os homens preferem as mulheres mais velhas?

07/09/2018
| Colunista: , Erika Meiswinkel
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Assunto: , Livros

A idade cronológica parece importar menos do que o comportamento ou espírito jovem

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Há quase 30 anos, a antropóloga Mirian Goldenberg pesquisa sobre os diversos tipos de arranjos conjugais no Brasil. Outro tema que vem sendo alvo da escritora nos últimos anos é o envelhecimento. Seu novo livro trata justamente de uma questão que envolve a interseção dos dois assuntos: o fato de alguns homens preferirem se casar com mulheres mais velhas.

Como a própria autora explica na obra, o título é uma provocação. Na verdade, o número de homens que se relacionam com mulheres mais jovens é muito maior. No entanto, uma de suas descobertas após entrevistar 52 casais é que a união de mulheres mais velhas com homens mais novos minimiza os jogos de dominação, conflitos e disputas muito comuns nos casamentos convencionais.

“Por mais estranho que possa parecer, apesar de este tipo de relação ser considerada desigual, encontrei uma situação bastante equilibrada para os homens e mulheres pesquisados. Aparentemente, elas são percebidas como dando muito mais do que eles, em termos de posição social, situação financeira, maturidade, experiência, cuidado, carinho, atenção, compreensão. No entanto, eles dão aquilo que muitas mulheres desejam: o reconhecimento de que elas são superiores. Elas recebem a prova constante de superioridade em relação às outras mulheres, especialmente as mais jovens.”, afirma Mirian.

Ao constatar a felicidade e satisfação dos casais pesquisados, Mirian descobriu que, em vez de perguntar por que determinados homens casam com mulheres mais velhas, é preciso questionar os motivos que levam a maioria dos homens a continuar preferindo casar com mulheres mais jovens. Descobriu também que é necessário questionar as razões que levam grande parte das mulheres brasileiras a aceitar e fortalecer, com seus medos, inseguranças e preconceitos, o tabu da idade.

Sobre a Autora

Mirian Goldenberg nasceu em Santos (São Paulo) e mora no Rio de Janeiro desde 1978. É doutora em Antropologia Social e professora titular do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro. É colunista, desde 2010, da Folha de S. Paulo e professora convidada da Casa do Saber do Rio de Janeiro.

Editora Record

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