ÓDIO? MEDO? PARA QUÊ?

18/06/2020
| Colunista: , Glenda Maier
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Assunto: , Política

Quando pensamos em guerra, pensamos que o ódio é o grande fomentador das mesmas

Glenda20200618

Fiquei pensando e conclui algo diferente: todas as vezes que o ódio impera, ele gera, inevitavelmente, uma profunda sensação de medo – “Será que o meu arqui-inimigo, que também me odeia, será mais poderoso e agressivo do que eu?”. A consciência da ameaça e o medo diante dela, obriga o indivíduo ou coletividade a se armar contra o outro e neste momento a guerra surge como única solução possível.

Se observarmos a situação mundial e nacional neste momento de nossa história, vemos o ódio se instalando nas mais diferentes áreas das atividades humanas e o consequente medo de retaliação por parte dos oponentes – este medo mantém constante sobre nossas cabeças, o terror de mais uma grande guerra mundial e nos faz viver em constante estado de conflito e conturbação social.

A história nos conta sobre grandes e tristes conflitos religiosos; sobre guerras sangrentas pela defesa ou conquista de territórios; por verdadeiras aberrações geradas pelo preconceito de raça, cor ou religião. E neste momento, o que está acontecendo? Quais os grandes medos que impulsionam as ações belicosas que vemos em todo o planeta?

Vivemos o mais ridículo dos medos: os “grandes presidentes” temem perder as próximas eleições! Se analisarmos a situação real dos Estados Unidos e do Brasil temos dois presidentes que insistem em transformar qualquer problema social que apareça em motivo para garantir reeleição. A pergunta se impõe: Será que estes dois, e vários outros, não entendem que um bom governo conduz, inevitavelmente, à reeleição?

Vejam a situação da Alemanha. Angela Merkel tem sido amplamente descrita como a líder da União Europeia, a mulher mais poderosa do mundo. São vinte anos no comando e será que passa pela cabeça de alguém trocá-la por outro qualquer? NÃO.

Merkel não é movida pelo ódio, nem pelo medo de não ser reeleita – talvez até ela já esteja desejando uma oportunidade de se ver livre desta carga enorme que pesa sobre seus ombros. Ela usa o bom senso, a análise técnica, clara e verdadeira dos problemas e busca solucioná-los dentro do possível.

É disso que precisamos, infelizmente, ela é alemã e dificilmente aceitaria vir governar o Brasil. O que eu lamento muito. Precisamos de líderes que abandonem atitudes de ódio e parem de ter medo da não reeleição. Onde estará o líder que, ao invés de fazer tudo exatamente ao contrário de seus oponentes, procure agir utilizando o melhor de suas próprias idéias e as melhores idéias de seus adversários?

Nesta triste pandemia o absurdo desta atitude de ódio está se mostrando claramente: Brasil e Estados Unidos são os dois países que não estão conseguindo controlar a disseminação da doença. Damos o desconto de serem estes dois países territórios enormes o que dificulta a eficiência das ações, mas está claro e óbvio que os dois presidentes são os campeões de dar tiros no próprio pé – negros sendo sufocados por policiais, boiadas passando sobre a floresta amazônica, desligamento da Organização Mundial da Saúde, considerar o Covid-19 como sendo apenas uma gripezinha, um querendo colocar a guarda nacional para controlar o povo que clama por justiça e o outro participando de manifestações que querem destruir os poderes democráticos do país em nome de símbolos nazistas.

É. Este ódio gerou muito medo. Se cada um de nós não permitir que o ódio se instale em nossos corações, talvez diminua o medo e sem medo, quem sabe, poderemos, como Angela Merkel buscar e encontrar soluções.

+Glenda Maier

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