O que esperar de 2019?

07/03/2019 |
Assunto: , Economia, Imóveis

CreciRJ20190307

Desafios que o novo governo precisa superar para alavancar a economia e o mercado imobiliário

Enquanto o mercado imobiliário tenta se reerguer para reviver os tempos de glória, o novo governo terá muitos desafios para fortalecer o setor, reaquecer a economia e fomentar no brasileiro o desejo, não só de realizar o sonho da casa própria, mas de ter condições para isto. Naturalmente deverá ser feito um estudo do mercado para identificar a real situação vivida pela construção civil, definir os planos e estratégias para traçar um caminho que permita desenvolver ações que promovam o crescimento da indústria e viabilizem crédito junto às instituições financeiras, visando estimular a compra e venda de imóveis residenciais e comerciais, estabelecer prazos e metas e, principalmente, vencer os obstáculos internos e externos existentes que impedem que o tão esperado boom imobiliário aconteça novamente.

A economia em qualquer país é como um castelo de cartas: se uma das bases cair, todas as partes desabam com ela. Basicamente foi isto ocorreu com o Brasil. A desvalorização das ações das principais empresas do país, ocasionadas por escândalos de corrupção, provocaram uma desconfiança por parte dos consumidores e da indústria, aumentaram a inflação, provocando aumento de preços e reduzindo o poder de compra da população, desvalorizou a moeda, elevou a taxa de desemprego e fez sucumbir os principais setores da nossa economia, tirando nossa base de sustentação e desmoronando nosso castelo. O setor imobiliário, sendo um dos pilares que mantinham a economia de pé, foi uma das partes mais afetadas e não resistiu à crise ainda presente no país, mesmo que já seja possível enxergar uma luz no fim do túnel.

Inicialmente é necessário contextualizar os motivos que levaram à queda do mercado de imóveis. Uma combinação perigosa de fatores: corrupção, desconfiança, receio e desemprego. Por mais que o combate à corrupção seja algo que dê esperança de um futuro melhor, só o fato de estas práticas corruptivas existirem já é suficiente para que haja uma quebra de confiança, limitando as ações de empresários que não querem ter perdas financeiras em meio às incertezas políticas. A desconfiança não parte apenas dos grandes empresários, mas também dos pequenos, micro e médios empreendedores que acabam por estacionar suas atividades em virtude das barreiras orçamentárias existentes.

As instituições financeiras, por receio de calote dos consumidores, passam a dificultar, para sua própria segurança, as negociações através da redução da linha de crédito, aumento da taxa de juros, aumento do valor de entrada e redução do financiamento para compra de imóveis, tanto os novos quanto os usados. Por fim, o que justifica o receio dos bancos públicos e privados, o aumento da taxa de desemprego que tira da população a certeza de poder fazer investimentos a longo prazo, forçando o consumidor a adiar o sonho da casa própria para dar prioridade à solução de problemas mais imediatos.

Um ponto positivo que o Governo herdou o é a inflação controlada, mas só isto não será suficiente para fazer com que o Brasil saia da crise financeira. Dentre os maiores desafios do novo presidente está a geração de empregos para fazer com que a população volte a ter estabilidade e segurança na hora de comprar, o que impacta diretamente em todos os setores comerciais.

Realidade Econômica

Com mais despesas que receitas, as contas públicas chegaram em 2018 ao quinto ano consecutivo de déficit e uma dívida que beira a casa dos R$150 bilhões. Além do desafio de ter que equilibrar as contas públicas, o novo governo terá que seguir as diretrizes da chamada regra de ouro, estabelecida pelo artigo 167 da Constituição Federal, que impede que o governo se endivide com despesas correntes, como é o caso dos salários dos servidores, do pagamento de benefícios sociais e dos gastos decorrentes do custeio da máquina pública. O objetivo desta regra é que, caso haja endividamento, que este seja provocado por investimentos que tragam lucro futuro para quitar o valor gasto e gerar superavit, configurando uma dívida temporária. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que foi aprovada pelo Congresso para o próximo ano estabelece que 93% do orçamento seja com despesas obrigatórias, como a Previdência Social que ocupa mais da metade deste montante.

Jair Bolsonaro terá que lidar com um rombo de R$270 bilhões da Previdência Social e com os gastos do funcionalismo público que chegam à casa dos R$300 bilhões, e isso se deve a elevada média salarial e aos pacotes de aposentadoria concedidos aos servidores. O cenário fica ainda pior quando leva-se em conta a dívida bruta, ou seja, a soma de todos os números do governo, dos estados, dos municípios e das empresas estatais, alcançando a importância de R$5,165 trilhões, o equivalente a 77,2% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

– O cenário não é dos melhores em função, principalmente, das incorretas decisões tomadas pelo governo e seus subordinados que o antecederam. Ao invés de executarem políticas econômicas destinadas a tornar o Brasil uma nação soberana e justa com seu povo, assumiram o papel de subservientes ao capital especulativo dos banqueiros e rentistas, aos interesses da rapinagem internacional – interessados em adquirir a preços vis nossas riquezas – e, pior, penalizando pesadamente os que vivem à custa de seu trabalho. Se olharmos hoje para a guerra comercial instalada mundo afora e para os anúncios da equipe econômica do, os reflexos dos ciclos de crise do capitalismo, cuja origem remonta à década de 70, estão longe de se encerrar – opina o presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon), Wellington Leonardo da Silva.

Do lado positivo da balança está a taxa Selic que encontra-se na mínima histórica de 6,5% de juros básicos, mas, ainda assim, os juros bancários seguem elevados, o que não incentiva o consumidor a gastar. Outro dado que tranquiliza o novo governo é a taxa de inflação abaixo de 3%, mesmo com uma projeção para fechar o ano em 4,15%, o que dá menos instabilidade, dadas as circunstâncias. Mesmo com a aparente saída da recessão e o crescimento de 1% do PIB em 2017, o ritmo de reação econômica do Brasil ainda é considerado muito lento. A taxa de desemprego bateu recorde e atualmente existe o equivalente a 13 milhões de pessoas sem emprego no país.

O Setor Imobiliário

Com diversas obras paradas por conta da crise econômica ainda visível no Brasil, a construção civil sofreu muito com os impactos provocados pela recessão. A quantidade de novas unidades diminuiu significativamente, muito em função da falta de demanda em decorrência da desconfiança e redução orçamentária geral da população. Quem não perdeu o emprego teve que reorganizar as finanças com receio de entrar para as estatísticas de desemprego no país por conta das incertezas do mercado e da insegurança política. Com as obras estagnadas, o setor imobiliário deixou de gerar empregos com mão de obra.

– O mercado imobiliário tem um ciclo virtuoso de crescimento, mas é preciso recuperar a segurança jurídica das moradias para atrair investidores e compradores para fazer com que haja maior confiança do cliente, permitindo maior número de imóveis para compra e venda e para aluguel. Mais investimento na construção civil gera mais ofertas no setor. – destaca o presidente do Secovi Rio, Pedro Wähmann.

Antes mesmo de assumir o cargo, Bolsonaro teve um motivo para comemorar com relação ao mercado imobiliário, isso porque entrou em vigor no final de outubro uma medida que aumentou o teto de financiamento dos imóveis para R$1,5 milhão de reais pela Caixa Econômica Federal. Com esse valor, a expectativa é de que os bancos da iniciativa privada busquem se adaptar ao novo modelo de financiamento, permitindo maior concorrência. Outra aposta favorável é de que haja uma redução da taxa de juros por parte destas instituições, facilitando e estimulando o aumento das transações imobiliárias. O novo teto contempla a utilização do FGTS para as pessoas que não possuem imóvel próprio.

– Quanto ao mercado imobiliário, em minha concepção, o mercado futuro é de subsidiar financiamento de longo prazo, apartado de juros escorchantes, para os milhões de brasileiros que pagam aluguel ou não têm onde morar. Sublinhe-se que isto é inviável se os compradores não tiverem salários dignos e garantias trabalhistas – explica Wellington Leonardo, presidente do Cofecon.

O Que Fazer?

Para solucionar todos os problemas e superar os desafios que tem pela frente, o novo governo tem que fazer malabarismo. O ponto de partida será buscar apoio suficiente na Câmara e no Senado para conseguir aprovar as medidas necessárias que darão suporte a sua plataforma de campanha e ao seu plano de governo. Umas das apostas será a aprovação da Reforma da Previdência.

A vista do governo, a reforma do sistema previdenciário é necessária para torná-lo sustentável, impedindo que o pagamento de aposentadorias, pensões e demais benefícios para a atual e para as futuras gerações deixem de ocorrer. Atualmente existem cerca de 29 milhões de beneficiados somente no Regime Geral de Previdência Social (RGPS)/INSS que recebem aproximadamente R$34 bilhões. Se somado este valor ao recebido pelos servidores aposentados, a quantia ultrapassa os R$100 bilhões. O objetivo da reforma seria garantir uma sobrevida ao sistema e promover uma equidade entre os trabalhadores da iniciativa privada e os servidores públicos. Dentre as mudanças mais polêmicas estão o aumento do tempo de contribuição e da idade mínima para se aposentar.

Sobre a projeção para a economia, Wellington Leonardo alerta sobre variedade de opiniões referentes ao tema e os cuidados que se deve ter sobre as expectativas:

– Há de tudo. Há os que prometem crescimento de 3%, índice mágico, pois também o previam para este ano no início de 2018; há os que acreditam que as guerras comerciais não impedirão o crescimento do comércio internacional; há os que queimam as caravelas que permitiriam obter financiamento para a infraestrutura e a exportação de nossos produtos primários e da Construção Civil para parceiros comerciais, como a China, Rússia e países da África; há os que mentem afirmando que eliminarão o déficit público privatizando as joias do povo brasileiro, sem ao menos serem criativos, e há os Economistas cuja base de pensamento é desenvolvimento, com eliminação da desigualdade social e acesso à educação pública, gratuita e de qualidade, bem como acesso à terra, moradia, emprego e saúde como passos iniciais rumo a um futuro melhor.

Fonte: Stand Edição 44 – Revista do Creci-RJ

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