O mercado dos imóveis comerciais

05/07/2018 |
Assunto: , Economia, Imóveis

Saiba para onde está indo o segmento que ganhou nos últimos anos concorrentes de peso

CreciRJ20180705

Durante os anos pré-crise no Brasil um setor que navegava em mares muito tranquilos e auspiciosos era o imobiliário. Dentro dele um segmento se destacava fortemente, o de imóveis comerciais. Muitos lançamentos no Rio de Janeiro e em todo país marcaram esse período positivo da economia e do mercado. Mas veio a crise e esse panorama foi modificado drasticamente. A pergunta que fica agora é: qual a perspectiva para os próximos anos para os imóveis comerciais?

Para responder a essa questão, é necessário não só fazer uma análise da conjuntura político-econômica do Brasil de hoje, como também contextualizar as mudanças de comportamento e investimento das atuais gerações que se misturam no mercado de trabalho.

A economia está se recuperando. Diante da retomada do crescimento e da alta na confiança, a economia brasileira cresceu em 2017 e se espera mais crescimento neste ano. Dados do Ministério da Fazenda apontam para um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1% em 2017 e de 3% em 2018.

– Existe um aumento da confiança muito grande que também influenciou a trajetória da economia neste ano, fruto do controle fiscal, da aprovação do teto dos gastos, da aprovação das reformas em geral e de todas as discussões em andamento – avaliou o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, durante entrevista coletiva no final de 2017.

Os dados sobre o desemprego também são importantes para a análise. Seguindo em queda desde o início do ano passado, o número ficou em 11,8% no quarto trimestre de 2017, atingindo 12,3 milhões de pessoas, 5% a menos do que nos três meses anteriores. Esse dado mostra que as empresas estão contratando mais e crescendo também.

Além da economia, é preciso fazer uma análise sociológica dentro da realidade em que o mercado está inserido. Nesse caso, entender como funcionam os comportamentos de investimento e empreendedorismo da sociedade. E de uma coisa todos têm certeza: a mudança está acontecendo.

Para Leonardo Schneider, vice-presidente do Secovi Rio, o setor imobiliário foi bastante resistente durante a crise.

‘‘ O mercado foi acertado pela crise, sofreu com perdas de propostas, mas vem se recuperando depois de alguns picos, principalmente na Copa e nas Olimpíadas. Com o preço dos imóveis estagnado a procura tende a aumentar e reaquecer o mercado para sair da crise”.

Hoje, segundo ele, a ocupação dos imóveis comerciais no Rio de Janeiro ainda é pequena, mas que a melhora depende da economia:

– A taxa de vacância (medida do espaço não locado de um empreendimento) no Rio de Janeiro chega a 40%. As empresas tiveram que se adaptar a crise buscando imóveis menores e mais baratos. Tudo depende do mercado. Ele é cíclico e possui altos e baixos, portanto é difícil dar uma perspectiva diante de uma economia instável e que oscila tanto.

O Coworking, que é um modelo de trabalho baseado no compartilhamento de espaço e recursos de escritório, reunindo pessoas que trabalham não necessariamente para a mesma empresa ou na mesma área de atuação, podendo inclusive reunir entre os seus usuários os profissionais liberais, empreendedores e usuários independentes, vem crescendo cada vez mais e acaba rivalizando com os imóveis comerciais tradicionais. Hoje existem centenas de espaços destinados a este modelo de negócios espalhados pelo Brasil e mais de 4 mil pelo mundo.

Para Schneider os espaços de coworking são tendências trazidas pela modernidade, que tem seus pontos positivos e negativos:

– O conceito é excepcional pela possibilidade de cooperação com outros profissionais de outras áreas, a possibilidade de interação entre diferentes tipos de negócios, além da facilidade de se fazer um bom networking. Mas se torna um investimento que não traz segurança no que diz respeito às questões de herança familiar por não ser uma propriedade exclusiva de um único investidor, além de não garantir privacidade para a empresa.

Pensando no futuro, em como o imóvel comercial será visto daqui a alguns anos, é preciso fazer o balanceamento entre o que existe e o que está surgindo. Cada dia mais a economia de compartilhamento está na vida das pessoas e o mercado vai se adaptando a essa realidade.

– O mercado tem tudo pra se adaptar à tendência do compartilhamento e se adequar às novidades que as novas gerações estão trazendo, finaliza Schneider.

Fonte: Stand Edição 41 – Revista do Creci-RJ

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