Mercado Imobiliário: 2009 a 2017

16/08/2018 |
Assunto: , Economia, Imóveis

Os fatos mais marcantes no período para o mercado imobiliário

CreciRJ20180816

O futuro repete o passado. Esse mantra, muito falado durante os primeiros anos da recente crise econômica no Brasil, se bem estudado, pode servir como base para deixar o coração do corretor de imóveis brasileiro com boas esperanças do que pode acontecer pela frente. Os melhores momentos do país economicamente falando se deram no final da década passada e início da atual.

Em 2009, por exemplo, o lançamento do Programa Minha Casa Minha Vida foi fundamental para colocar o mercado imobiliário num patamar mais acessível para o brasileiro e com isso aquecer ainda mais o setor de imóveis no país. Desde o seu lançamento, em 25 de março de 2009, até 2016 (último ano com dados disponíveis do programa), foram contratadas mais de 4,2 milhões de casas. Dessas, mais de 2,6 milhões foram entregues no período. Naquela época, em 2.562 dias de existência do programa, foram beneficiadas mais de 10,4 milhões de pessoas, que realizaram o sonho da casa própria.

Uma pesquisa da Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP) mostrou a importância e sucesso do programa enquanto ferramenta de redução do déficit habitacional do País. Levando em consideração apenas o período entre 2010 e 2014, o estudo apontou que a redução mais acentuada da falta de moradias ocorreu nas regiões Norte (-6,4% ao ano) e Nordeste (-3%), mas incluiu todas as regiões do País. Entre os Estados, a Bahia se destacou, respondendo sozinha por 115,6 mil das famílias que compraram ou receberam moradias, ou 16% do total.

Aliado a isso, o programa de segurança pública implantado no Rio de Janeiro ajudou substancialmente a elevar o patamar do mercado em diversas regiões. As Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) levaram as zonas norte e sul da cidade a terem mais tranquilidade e um sentimento de segurança. Nos bairros onde as UPPs foram instaladas, os imóveis naquele período tiveram uma valorização de 80%. De acordo com o Secovi Rio (Sindicato da Habitação), na época o aumento nos preços foi de 30 a 40%, imediatamente após a ocupação da polícia.

Durante esse período o setor imobiliário viveu o chamado ciclo de ouro. Construtoras dos mais variados tamanhos empreenderam no segmento residencial e trouxeram muitas oportunidades para imobiliárias e corretores de imóveis. Aliado a isso, a proximidade com a Copa do Mundo fez as cidades brasileiras registrarem um forte valorização imobiliária.

Naquele período, o Rio de Janeiro foi a capital brasileira com maior valorização dos imóveis nos últimos anos. A Copa do Mundo e as Olimpíadas deram novo fôlego ao mercado imobiliário. Foi o anúncio sair, em 2009 para tudo começar a mudar. Transformações importantes vieram pra cidade e com elas, a disparada de preços. O mercado imobiliário foi um dos mais afetados. O Rio teve a maior valorização do país no período pré-olímpico. Segundo pesquisa realizada pelo Secovi Rio na época, a média chegou a 200% de valorização ao longo dos anos até a Copa.

No Centro da cidade, uma das regiões com mais melhorias, o metro quadrado ficou 220% mais caro. Na Barra, onde fica o parque olímpico, quase 140%, e no Leblon, 177% naquele momento. Mas, em tempos de crise, o mercado esfriou.

Para uma cidade que prometeu se redescobrir por meio dos investimentos bilionários para a realização dos primeiros Jogos Olímpicos na América do Sul, o Rio de Janeiro desde a realização das Olimpíadas não tem motivos para comemorar por enquanto e com dúvidas sobre os benefícios prometidos para a população depois dos Jogos.

Com um forte retorno da violência ao cotidiano dos moradores, um pedido de socorro às Forças Armadas para reforçar a segurança e promessas de legado olímpico sem perspectiva de cumprimento, a cidade convive com uma sensação de chance desperdiçada após os 43,3 bilhões de reais investidos nos Jogos, em meio a uma grave crise econômica no Estado.

Fato é também que 2018 tem sido um ano com mais perspectivas para o setor imobiliário. O mercado está saindo da mais severa crise com sequelas que incluem um déficit habitacional de 7,7 milhões de moradias.

– Estamos assistindo o mercado imobiliário brasileiro sair de sua pior crise e com muitas sequelas – afirmou Celso Petrucci, durante seminário sobre a modernização do crédito imobiliário promovido pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) em São Paulo.

Ele destacou que a habitação de interesse social foi um dos poucos segmentos que resistiu aos efeitos da recessão, com 500 mil a 600 mil unidades entregues por ano via Minha Casa Minha Vida, um programa financiado com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço.

Mas o interesse de outros setores da economia nos recursos do FGTS vem gerando preocupações entre participantes do mercado imobiliário. O FGTS colocou no mercado cerca de 1,236 trilhão de reais entre 2008 e março de 2018. A Caixa Econômica Federal é o agente operador do FGTS e se encarrega juntamente com o Banco do Brasil das contratações do programa habitacional Minha Casa Minha Vida.

Com um cenário cada vez mais difícil de desvendar com as eleições que se aproximam, o setor imobiliário alimenta as expectativas de que o Rio de Janeiro possa repetir o passado e seguir em frente, com melhorias para a população e economia como um todo, baseando seu crescimento em políticas que se sustentem ao longo do tempo.

Fonte: Stand Edição 42 – Revista do Creci-RJ

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