INDIGNAÇÃO

03/06/2020
| Colunista: , Glenda Maier

O impensável está acontecendo! A violência racista clama aos céus! Ver símbolos nazistas sendo reapresentados diante de nossos olhos nos assombra! Ver cemitérios sendo tema de jornais televisivos é absolutamente assustador! E por aí vamos nós sentindo o sangue ferver de indignação

Glenda20200603

Se esta pandemia pudesse ter algum resultado positivo seria notar que a solidariedade, a compaixão, a sabedoria de saber que somos muito frágeis diante das forças da natureza, e a compreensão de que dinheiro não é tudo e que um abraço faz mais falta do que uma carteira recheada de verdinhas. Os noticiários frustram estas esperanças.

Sendo um ser totalmente inserido na realidade do dia a dia, tenho vontade de gritar de ódio contra os que esganam negros, admiram Hitler e roubam na compra de respiradores e hospitais de campanha neste momento em que tantos morrem.

Acontece que é preciso analisar este ódio que sinto. Será este ódio algo autenticamente meu ou ele está sendo incentivado por uma publicidade criminosa que fomenta a intriga, a discórdia e a separação?

O ódio não é meu. Posso discordar da opinião do outro sem deixar de amá-lo, respeitá-lo e conviver com ele. Não sei se isto é verdade para todos, mas prefiro pensar que se estes que estão sendo movidos pelo ódio pararem para pensar vão verificar, como eu verifiquei, que este ódio não é de cada um deles – estamos sendo incentivados, sub-repticiamente, a sentir este sentimento destruidor da amizade, do afeto, da alegria, da paz e do amor.

Se vocês já leram o livro 1984 de George Orwell poderão verificar a semelhança com o que estamos vivenciando agora. Neste livro o Big Brother é o controlador de toda a sociedade, sobretudo no tocante à informação. É isto que está acontecendo agora: notícias falsas, vindas de todos os lados, gerando conflito, desentendimento, insegurança e ódio.

A força deste invisível Big Brother controlador é enorme, só uma arma poderá combatê-lo: o autoconhecimento, a verificação pessoal, sincera e profunda, para avaliarmos quais os valores que nós realmente queremos para nossas vidas, nossos lares, nosso sistema educacional e a capacidade de ouvir o outro, respeitar suas idéias e, se for o caso, mudar as nossas opiniões sobre este ou aquele assunto.

Vamos pensar nisto, talvez policiais não esmaguem pescoços negros nas calçadas do mundo. Talvez os que hoje estão tentando reviver o nazismo sejam capazes de avaliar os horrores causados por esta atitude. Talvez os que usaram o dinheiro público, liberado para a compra de material médico e construção de hospitais consigam avaliar a gravidade criminosa de seus atos, se arrependam, devolvam o dinheiro desviado e dediquem o resto de suas vidas a ir, pessoalmente, tratar dos doentes, correndo o risco de serem contaminados, como estão correndo este risco os que hoje estão dedicados a salvar vidas sem máscaras, sem luvas, sem equipamento adequado para se proteger e sem material necessário para salvar seus pacientes.

+Glenda Maier

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