Falar Pouco – Um Comportamento Positivo ou Negativo?

27/08/2018 |
Assunto: , Comportamento

Cada indivíduo tem a sua identidade e o seu jeito de ser, tem os que são mais reservados, enquanto outros são mais expansivos. Dentro desse contexto, existe uma dúvida em relação a aqueles que são conhecidos por falar pouco, porque há quem considere normal e quem ache que isso seja ruim.

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Reflexão Sobre Falar Pouco – Até Que Ponto é Natural?
Você conhece alguém que fala pouco ou identifica essa característica em seu próprio comportamento? Saiba que realmente existem pessoas que são mais reservadas e observadoras, e dentro do âmbito da psicologia elas são chamadas de introvertidas. Basicamente, são assim porque possuem o cérebro um pouco mais sensível a estímulos externos e, por isso, preferem ambientes mais tranquilos e com menos gente.

Os indivíduos introvertidos são um completo oposto dos extrovertidos, pois eles gostam de poder conversar com as outras pessoas e ouvi-las com atenção, em ambientes tranquilos, para que seja um diálogo realmente proveitoso. Vale lembrar que não há problema algum em ser introvertido, pois trata-se de um traço de personalidade natural e que nada tem a ver com insegurança ou timidez.

Falar pouco se torna preocupante quando é um sinal de uma introspecção prolongada, ou seja, o indivíduo se fecha completamente para o mundo e guarda apenas para si tudo o que sente. Esse comportamento é bastante comum entre aqueles que são excessivamente tímidos ou que passaram por alguma experiência traumática. Nesse caso, é muito importante buscar ajuda especializada, porque todos têm o direito de serem felizes e de se sentirem bem consigo mesmo.

Considerando todas essas informações, podemos concluir que falar pouco é normal quando se trata de um traço da personalidade de uma pessoa e, principalmente, quando ela demonstra estar feliz sendo como é. Já nas situações em que o indivíduo se mostra fechado demais para o mundo e isso passa a prejudicar suas relações e seu desenvolvimento profissional e pessoal, é sinal de que há uma questão interna que precisa ser resolvida para libertá-lo de suas angústias.

Momentos de Introspecção São Naturais
Existem momentos da vida em que mesmo indivíduos extrovertidos se tornam mais introspectivos. Isso é comum de acontecer após uma situação delicada, como a perda de um ente querido ou o fim de um relacionamento, por exemplo. Trata-se de um período em que a pessoa se fecha um pouco mais para conseguir processar todas as mudanças ocorridas em sua vida.

Contudo, é necessário manter a atenção para identificar quando isso se prolonga por muito tempo. Ficar algumas semanas mais recolhido é natural, até porque o luto precisa ser vivido, mas se essa falta de ânimo para interagir com o mundo se estende por meses é fundamental buscar ajuda profissional. Afinal, cuidar da mente é tão importante quanto cuidar do corpo, pois os dois estão intimamente conectados.

Caso note esse comportamento em alguém próximo, evite forçá-lo a reagir. Chame-o para uma conversa franca e demonstre a sua intenção de ajudar, mas sempre de maneira respeitosa e sem fazer imposições. Cada um tem as suas batalhas internas e ninguém pode apontar o dedo ou julgar o comportamento de alguém, o certo é acolher e demonstrar apoio, pois é assim que tudo pode se resolver.

Pontos Positivos e de Atenção em Relação a Falar Pouco
Como se pode perceber, falar pouco pode ser bom ou ruim e depende do que está motivando esse tipo de comportamento em uma pessoa. Veja, a seguir, quais são os pontos positivos dessa característica e aqueles que precisam ser considerados com atenção.

Pontos Positivos
* Falar menos possibilita que se ouça melhor o outro e, assim, possa compreendê-lo com mais clareza;
* Faz com que pense melhor antes de falar e evite dizer coisas das quais possa vir a se arrepender;
* Muitas vezes o silêncio é a melhor resposta que se pode dar;
* Um indivíduo que fala pouco costuma refletir mais antes de tomar decisões;
* Dar mais atenção para si é positivo porque permite que se conheça melhor e saiba reconhecer os seus sentimentos e emoções.

Pontos de Atenção
* Guardar mágoas e ressentimentos é ruim porque faz com que deixe de dar atenção para as coisas boas ao seu redor;
* Além disso, não falar sobre o que sente pode prolongar o sofrimento e, até mesmo, gerar transtornos psicológicos, como a ansiedade e a depressão, por exemplo;
* Falar sobre o que se sente é necessário porque nos ajuda a lidar melhor com nossos pensamentos e emoções e evita que ideias distorcidas sejam formadas;
* Quando não há um diálogo franco com as outras pessoas e não são ditas as coisas que agradam ou desagradam, os relacionamentos podem ficar prejudicados.

Aproveite para fazer uma reflexão a respeito do seu comportamento para que veja se você se identifica mais com os pontos positivos ou com aqueles que precisam de atenção. Assim, poderá entender se é apenas um traço natural da sua personalidade ou se há alguma questão a ser resolvida.

O Importante é a Qualidade do Que Se Diz
No final das contas, o importante não é considerar a quantidade, ou seja, se está falando muito ou pouco, mas sim a qualidade. Reflita a respeito do seu comportamento: acha que tem conseguido falar tudo o que gostaria e passar para os outros uma imagem que condiz com a sua essência? Se a resposta for sim, ótimo, pois é apenas um sinal de que é uma pessoa introvertida, mas que está feliz e se sente bem consigo mesmo.

Se a resposta for não, acalme-se, pois é perfeitamente possível solucionar suas questões internas e começar a se expressar de forma positiva. Comece dando o seu melhor para conseguir se abrir com alguém da sua confiança e, assim, ir em busca de ajuda. Lembre-se que todos nós estamos neste mundo para sermos felizes, e isso inclui você. Dê esse passo e desfrute do seu direito de falar o que deseja e de se sentir bem com isso.

Espero que este artigo tenha te ajudado de alguma forma, seja a se conhecer melhor ou a identificar pontos a serem aperfeiçoados em seu comportamento. Desejo a você serenidade, força e luz para superar todos os obstáculos e ir de encontro à sua felicidade!

José Roberto Marques

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