Conflitos na Família: Crescimento ou Perda?

15/01/2019 |
Assunto: , Comportamento

SamantaL2019015

Administrar conflitos é uma tarefa que causa melindres e resistências. As pessoas evitam, postergam e, muitas vezes, não fazem nada para resolver. Afinal, enfrentar um problema não é muito agradável.

Quando os conflitos aparecem no ambiente familiar, a coisa parece se complicar ainda mais, pois eles são rodeados de sentimentos, preocupações, valores e crenças. Muitas famílias se desestruturam por não saberem lidar adequadamente com os conflitos que aparecem e acabam enfrentando problemas sérios de relacionamento, que podem perdurar por anos e acarretar em muitas perdas.

Os conflitos familiares podem ter as mais diversas origens. Podem surgir pela busca de autonomia ou liberdade, como acontece com os adolescentes, por exemplo, que a todo momento desafiam a autoridade dos pais para se sentirem mais fortes e independentes.

Por alguma mudança significativa, como a chegada de um novo irmãozinho, uma mudança de cidade e até mesmo uma diminuição dos rendimentos da família, que normalmente requer novas atitudes e hábitos por parte das pessoas.

Pela acomodação das pessoas, que não cumprem os seus devidos papéis dentro de casa e acabam sobrecarregando os demais, seja através de tarefas específicas ou responsabilidades. Um ponto que geralmente é causador de conflito é a divisão das tarefas domésticas. Nos dias atuais, o homem e a mulher trabalham fora e precisam compartilhar os deveres e as responsabilidades da casa, para que a convivência seja saudável e para que ambos atuem juntos na construção e na manutenção da família.

Por surpresas indesejáveis, como uma gravidez não planejada, uma doença grave, desemprego ou até mesmo a perda de um ente querido. Em situações como essas, as pessoas são acometidas por dúvidas e sentimentos delicados, como a angústia e a ansiedade, que acabam comprometendo a convivência e o diálogo, dificultando ainda mais a administração do conflito.

O primeiro passo para lidar com um conflito familiar, é ter a consciência de que ele existe de fato e que, geralmente, nós mesmos podemos estar contribuindo para o seu aparecimento ou prolongamento.

Em seguida, é preciso entender a sua causa e verificar as possibilidades de eliminá-la. Enquanto a causa não for atacada, o conflito não será resolvido.

Pense na seguinte situação: você não gosta muito de deixar seu filho na casa da sua sogra por que não tem condições de controlar a alimentação dele e gostaria de impor algumas condições. No entanto, com receio de criar um desentendimento, não fala nada para ela, mas seu marido (ou sua esposa) acaba ficando descontente com essa situação e a discussão do assunto entre vocês é sempre estressante. De nada adianta ficar brigando com a realidade e arranjando discussões dentro de sua casa, já que a causa do conflito não é o fato de deixar seu filho com a sua sogra, mas sim a dificuldade de comunicar as suas condições para a alimentação dele. Se você abordar a questão de maneira educada e cooperativa, usando um diálogo aberto e sincero, como por exemplo: “Dona Elisa, por favor, não dê chocolate para o Thiago esta semana, ele teve uma diarréia na semana passada e eu não quero que isso se repita. Tudo bem?” as possibilidades de resolver efetivamente o assunto serão muito grandes.

Não existe uma fórmula mágica para lidar com os conflitos. Cada pessoa tem a sua maneira própria, que revela parte da sua personalidade e a forma como ela conduz a sua vida sobre os mais diversos aspectos. Isso quer dizer que não existem maneiras certas e erradas, existe sim a maneira que atende as necessidades da família e permite que as pessoas se entendam e cresçam a partir dos conflitos.

Samanta Luchini
Psicóloga, coach e consultora especializada em Desenvolvimento Humano, com ênfase no ambiente organizacional.

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