Caramujo Africano

09/10/2018
| Colunista: , Julio Cesar de Lima Miguel
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Assunto: , Animais & Veterinária

O caramujo africano é um molusco da classe Gastropoda, de concha cônica marrom ou mosqueada de tons claros. Nativo no leste-nordeste da África, foi introduzido no Brasil em 1983 visando ao cultivo e comercialização do escargot.

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O fracasso das tentativas de comercialização levou os criadores, por desinformação, a soltar os caramujos nas matas. Como se reproduz rapidamente e possui poucos predadores naturais em áreas urbanas no Brasil, tornou-se uma praga agrícola e pode ser encontrado em praticamente todo o país, inclusive nas regiões litorâneas.

De acordo com dados da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), as espécies invasoras representam a segunda maior ameaça à biodiversidade em todo o planeta, só perdendo para os desmatamentos.

Os indivíduos adultos de caramujo africano podem atingir uma massa de mais de 200g e chegar a 15 cm de comprimento de concha. É um caramujo de concha cônica marrom ou mosqueada, alcançando a maturidade sexual entre quatro e cinco meses. Os indivíduos são hermafroditas, podendo realizar até cinco posturas por ano, com 50 a 400 ovos por postura. Ativo no inverno, resistente ao frio e à seca, geralmente passa o dia escondido e sai para se alimentar e reproduzir à noite ou, durante e logo após as chuvas.

O caramujo africano além de praga agrícola é o responsável pela transmissão de parasitos, parasitos estes que causam doenças de difícil diagnóstico em humanos. A pessoa é infectada pelo parasito acidentalmente quando ingere alimentos ou água contaminados com larvas, presentes no muco secretado pelo caramujo, seus hospedeiros intermediários. Os principais parasitos que podem ser transmitidos pelo caramujo africano são o Angiostrongylus cantonensis e o Angiostrongylus costaricensis.

Como se sabe, os caramujos em geral gostam de locais úmidos e sombreados. Por isso, ao iniciar a busca do caramujo africano em seu quintal, verifique bem os cantos dos muros, as paredes onde não bate muita luz e os lugares em que possa haver acúmulo de galhos, restos de poda, folhas, madeiras etc.

Dicas para combater o caramujo gigante, que causa meningite e prejuízos na lavoura

  1. Nunca comer os moluscos capturados.
  2. Para capturá-los, utilize luvas ou sacos plásticos para proteger as mãos.
  3. A melhor ocasião para capturar os moluscos é no crepúsculo e/ou dias nublados e chuvosos, pois é quando saem de seus abrigos em maior número.
  4. Para destruí-los, coloque os moluscos encontrados em um balde com água e bastante sal de cozinha, até que parem de se mexer. Depois, quebrar as conchas para que a água da chuva não fique nelas e enterre.
  5. Os ovos dos moluscos, pequenos e de cor clara e duros, devem ser destruídos por fervura em água e depois enterrados.
  6. Enterre os caramujos e seus ovos em valas de 80 cm, jogando cal virgem em cima dos caramujos mortos (cuidado, pois a cal virgem é cáustica e queima, causando danos à pele). Depois cubra a vala com terra. Atenção, essas valas devem estar distantes de poços ou cisternas.
  7. Não só os caramujos gigantes podem representar riscos, então evite manusear outras espécies de moluscos como lesmas e caracóis de jardim, pois podem ser também hospedeiros de Angiostrongilíase, principalmente em ambientes com presença de roedores.
  8. Antes de consumir hortaliças, lavar cuidadosamente e desinfetar com solução clorada todas as folhosas que serão consumidas cruas.
  9. Evitar lixo em quintais, jardins e terrenos.

Alguns pesquisadores afirmam que o controle de suas populações poderia ser mais eficaz se fossem adotadas medidas sérias visando à utilização desses animais para a alimentação, já que são saborosos, se bem preparados, e são bastante proteicos.

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