Amor e casamento na velhice

14/12/2018 |
Assunto: , Comportamento, Terceira Idade

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O grande arquiteto brasileiro, Oscar Niemeyer, falecido em 2012, aos 104 anos, teve que se casar escondido, aos 98 anos, com sua secretária, Vera Lúcia Cabreira, de 60 anos, pois parte de sua família não aprovava.
Do primeiro casamento com Annita, teve uma única filha, quatro netos, 13 bisnetos e cinco trinetos. O neto de Oscar Niemeyer, Kadu, de 52 anos, na época, recebeu ligação do avô, com a seguinte notícia: “Me casei com Vera Lúcia”.
Kadu, apesar de ter conhecimento do relacionamento de Niemeyer com a secretária, confessou que ficou surpreso: “Eu nem consegui fazer pergunta nenhuma. Mesmo sabendo que o relacionamento tem mais de 20 anos, fiquei meio surpreso”.
Kadu contou que o seu avô estava muito feliz e que esse casamento era um desejo de muito tempo. “Ele tem que fazer o que quer. Não é o momento de questionar se a união é válida ou não. É o desejo dele”, disse o neto que se considera filho de Niemeyer. “Ele, na verdade, sempre foi meu pai, nunca meu avô. Meu avô é um homem lúcido, que sempre gostou de ajudar os amigos e parentes”.
Sobre o casamento, Kadu disse: “A gente tem que admirar a disposição dele e torcer pela felicidade dos dois.” Para parabenizar a união, Kadu Niemeyer enviou o seguinte telegrama: “O amor pelos traços e pelas mulheres se concretizou com o seu casamento silencioso, com a mulher amada que lhe acompanha e escolheste como eterna”.

IDOSOS PODEM AMAR

Assim, tal qual Oscar Niemeyer, idosos têm direito a amar e ser amados. Você sabia que temos em nosso país 1,1 milhão de idosos namorando?
Pesquisa realizada pelo Instituto Data Popular revela que 1,1 milhão de brasileiros acima de 60 anos estão namorando. O resultado do levantamento, realizado no primeiro semestre de 2013, acaba refletindo no comércio, principalmente durante o mês dos namorados. Independentemente da idade, casais enamorados buscam se presentear nesta data.
De acordo com Cibele Lucena, proprietária da Alexia Flores, em Fortaleza, a demanda de pessoas com mais de 60 anos está cada vez maior, principalmente, neste período. “Todos os dias recebemos pedidos de pessoas com mais idade. Durante o mês dos namorados, esse fluxo chega a crescer até 20%”, diz.

NAMORAR FAZ BEM

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Viver um amor, em qualquer fase da vida, faz bem e dá prazer. Mas na terceira idade o desfrute de uma relação afetiva pode trazer ganhos extras para os que se amam.
“Relacionar-se nessa fase é um dos elementos mais importantes para manter a vontade de viver e a sensação de ser amado e querido. Isso alimenta a saúde emocional e física e até minimiza problemas de saúde”, explica a psiquiatra Carmita Abdo.

CASAR DE NOVO

De acordo com Maria de Los Angeles Fallero Amoroso, doutora em psicologia, “Muitas pessoas se sentem só. Acham que a solidão é algo que se instala, sem perspectiva de mudança em suas vidas. A solidão é um sentimento que está dentro das pessoas, fazendo-as não enxergarem dentro de si próprias, não amando nada nem ninguém”.
Uma coisa é certa: quem ama alguma coisa ou alguém nunca está sozinho. O único remédio para a solidão é o amor, devemos nos amar e jamais nos sentiremos abandonados.
Na terceira e quarta idades, a solidão parece ser marca registrada, na qual as pessoas têm que sofrer, queixando-se sempre, ao mesmo tempo que fogem da convivência sadia com outras pessoas.
O fato de muitas vezes perderem seus companheiros ou companheiras, os fazem viver exclusivamente voltados à memória daquele que morreu. São criaturas que matam os vivos e vivem com os mortos.
Mas quando resolvem acordar e voltar a conviver com as pessoas que as rodeavam, percebem que todos se afastaram e, então, começam a se sentir incapazes de se comunicar.
A importância de se ter amigos é justamente essa, pois qualquer relacionamento está baseado na troca de experiências, no saber pedir e no saber doar. As pessoas se doam e recebem na medida daquilo que oferecerem.
Para não sentir solidão é preciso reencontrar o amor. É preciso, muitas vezes, ressurgir das cinzas rejuvenescido. A vida pode e deve ser mais do que uma luta pela sobrevivência. Pode ser, independentemente da idade, uma experiência muito alegre e gratificante, cheia de amor.
Mas, para tanto, é necessário entrar em contato com o prazer de estar vivos e procurar ser pessoas inteiras em vez de esperar que os outros os tornem felizes.
É preciso redecidir a vida, abandonar preconceitos e comodismos, para então traçar seu caminho. Parece difícil, mas não é.

NOVAS POSSIBILIDADES

Amando-nos a nós mesmos, se tivermos autoestima, provavelmente também abriremos nossos corações e nossos espaços para outras pessoas.
Se as coisas do coração e os encontros afetivos lhe parecerem lembranças remotas de outros tempos, é necessário recuperá-las.
O importante é que nos lembremos que depender de outros para se obter satisfação e felicidade é sobrecarregar aqueles a quem amamos, retirando as alegrias de nossos relacionamentos com essas pessoas.
Uma senhora de 70 anos estava em um ateliê de costura experimentando seu vestido de casamento. Acreditava na vida e no amor e, para ela, o fato de se casar não era simplesmente a assinatura de um documento, mas sim, uma tomada de consciência, uma mudança de atitude, um novo estado de espírito e um compromisso, agora consciente, de dividir sua vida com outra pessoa, com uma proposta de permanência.

RECOMENDAÇÕES PARA RESGATAR A VIDA AFETIVA

* Reative a sua vida social e treine a paquera e a sedução em encontros, como festas e congressos da terceira idade, viagens, aniversários e encontros;
* Manter o bom humor é fundamental, a alegria desperta a curiosidade das pessoas, elas querem ser felizes e precisam aprender com quem realmente é;
* Permita-se pelo menos conhecer e fazer novas amizades, são novos laços, novos aprendizados, novas experiências.

Fonte: Revista Elos
Samuel Rodrigues de Souza

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